O DIA INTERNACIONAL DA MULHER E O SAGRADO FEMININO

 

O dia internacional da mulher, comemorado hoje, 08 de março, tem se tornado uma data de forte apelo comercial, mas pode ser tomado como um excelente momento de reflexão sobre o papel da mulher e mais que isso, a importância do sagrado feminino para a humanidade. É que as transformações sociais que deram espaço para as lutas feministas no século XIX e que mais tarde, também abriram espaço para uma nova concepção de tempo e espaço a partir dos avanços em comunicação e contatos sociais, de certa forma, retiraram o fundamental espaço de reflexão e ócio produtivo do ser humano, tão atrelados ao expandir da criatividade, cujo berço é o feminino que há em todos nós.

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Já se disse muito que o dia 08 (oito) de março é marcado como a data da triste lembrança de um incêndio havido numa fábrica de tecidos em Nova York, em que operárias teriam intencionalmente sido trancafiadas, como resposta do patronato aos seus movimentos de greve. Entretanto, a história não é bem essa. O incêndio aconteceu, de fato, mas não foi intencional e homens e mulheres foram vítimas. O dia 08 (oito) de março foi reconhecido pelas Nações Unidas oficialmente como Dia Internacional da Mulher somente em 1977. Antes disso, incontáveis movimentos e datas marcantes vinham acontecendo pelo planeta afora, sobretudo no entorno das consequências da Revolução Industrial, que não poupou o trabalho infantil e as absurdas diferenças no trato entre operários do sexo masculino e do sexo feminino.

De uma forma ou de outra, o avanço experimentado pela humanidade desde a segunda metade do século XIX até os dias de hoje, infelizmente, tornou evidente como as diferenças étnicas, sociais e de gênero são de fato algo a se considerar. E, obviamente, junto com isso, muitos e muitos movimentos de resistência foram surgindo. Com maior ou menor grau de razão e profundidade, no que respeita à luta das mulheres por mais espaço, infinitos são os argumentos e justificativas. Há dados estatísticos infindáveis que demonstram diferenças salariais para mesmos cargos ocupados que homens, tratamento pejorativo quando se trata de comportamentos adotados por mulheres que, em tese, seriam tipicamente masculinos, não aceitação pelo uso de determinadas vestimentas e evidente banalização da violência contra a mulher, tornando-a partícipe dos crimes praticados contra si mesma, pelo simples fato de ser mulher.

Por tais razões diz-se que a sociedade em que hoje vivemos é machista: porque segrega os seres humanos pelo gênero, sem considerar o melhor do que cada gênero pode oferecer, dentro de suas características, e pior: segrega as pessoas por meio de rótulos culturalmente criados (e mal criados), que em nada contribuem para o engrandecimento da sociedade e nem de seus indivíduos. Num outro viés, tão grave quanto isso é o fato de que esta sociedade machista massacra não somente as mulheres, mas também os homens, na medida em que aniquila a possibilidade de eles manifestarem o feminino que há em si, por meio dos jargões: homem não chora, homem não usa rosa, homem não faz ballet, entre outros.

Tudo isso se deve ao fato de que, de uma maneira geral, a humanidade deixou de considerar o sagrado feminino que há em todo ser humano. Trata-se da parte de nós encarregada pela criatividade, pelo lúdico, pela religação e identificação com a natureza, que nos edifica, e com o belo que há no mundo. Não se trata de uma prerrogativa feminina, na medida em que todo ser humano traz consigo (e deve mesmo trazer) um quantum de energia feminina, mas é fato que toda mulher, por sua natureza, tem bastante mais forte essa possibilidade de criação infinita. O sagrado feminino é justamente o importante papel desta energia, que desde muito tempo está relegado a um segundo plano, em prol do progresso, de uma vida work a holic, em homenagem à igualdade de condições entre homens e mulheres na sociedade.

Não se pode conceber que injustiças sociais e desigualdades de gênero em todas as categorias permaneçam, porque qualquer tipo de injustiça ou tratamento desumano é nefasto. Mas ao invés de tomar o lugar do homem, será que não estava na hora de a mulher tomar o seu verdadeiro lugar? Um lugar de destaque e de suma importância na condução da humanidade. Daquele indivíduo que é capaz de trabalhar, de sustentar uma família, de ocupar posições de destaque profissional, mas que igualmente é capaz de conduzir a humanização no trato com o semelhante, é capaz de reconstruir o tempo e sua utilização para valorizar a expressão humana, a criação e o lúdico, que é capaz de dizer não e não se fazer objeto e nem por isso perder sua importância. A mulher precisa ser mulher. A mulher precisa se apoderar de sua importância e do quão maravilhoso é representar essa energia que alimenta a roda da vida.

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Não é preciso ter filhos, ser “do lar” e não se responsabilizar pelo provimento material da família. Não é preciso saber cozinhar e costurar. Não é preciso gostar de rosa e somente brincar de boneca ou de casinha. Mas é fundamental entender que fazer tudo isso bem feito pode ter uma mágica importância de transformação social e humana quando visto sob um prisma diferente daquele que segrega as pessoas. Uma sociedade com indivíduos mais conscientes de si mesmos e mais conectada com o “ser” em lugar do “ter” precisa de mulheres que ocupem este papel e que, claro, também chefiem empresas e instituições, que saibam ouvir e acolher a quem quer que seja, como mães, pastoras, estadistas, sacerdotisas ou chefes. O mundo precisa de mulheres com M maiúsculo, que saibam que o poder de criação está em si e junto com ele a responsabilidade de tornar este mundo mais suave. Reverencie esta mulher no dia de hoje. Não pelas lutas sociais ou pelo apelo do comércio, mas em agradecimento a todas estas que materializam entre nós o sagrado feminino e que fazem nascer todos os dias, a esperança de um mundo mais humano e feliz!

 

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